Aproveite o dia, ou morra lastimando o tempo perdido.

Aproveite o dia, ou morra lastimando o tempo perdido.

sábado, 19 de março de 2011


Como você que em dias podia me fazer tão bem, conseguiu me fazer tão mal, e tão de repente?
Eu estava deitada, e havia um nó em minha garganta. Era incrível pois fôlego para respirar não havia, mas havia de sobra para chorar, e isso, era tudo o que eu fazia. Mesmo tentando desviar os pensamentos ou até mesmo limpando as lágrimas elas insistiam em escorrer. Você sendo meu melhor amigo me fez mal; para quem eu iria ligar e dizer o que estava acontecendo?
Era horrível. Eu estava completamente sozinha, sem ter para onde ir, para quem ligar e o que fazer. E aquelas malditas lágrimas não se cansavam, eram muitas. O que eu precisava era esquecer de ti, da sua existência.

O mundo em silêncio e, em algum lugar, tua carne ainda ocupa o centro de mim, teu nome se reveza entre meus olhos e minha boca, sem que eu saiba que forma ele finalmente terá. Tem garras, o teu nome. Tem também um sumo que arde quando escala a garganta e me põe essa dor paralisante nas mãos. O pior em cada coisa é não saber se ensurdeceste à minha voz, o pior em tudo é pressentir que estás desertando de mim e que tudo seca, tudo murcha e se despetala em ausência. Sou o retrato bruto da dor, aqui posta de braços abertos à espera dos teus olhos. Sou eu mesma a dor refundada, delicadamente urdida sobre uma frágil tecitura de memória, imóvel e dócil, como só a tristeza pode compor ao corpo. Espero ínfima, mansa e imolada inseta na teia pela tua fome, ou teu abandono.

Não temos controle do futuro. Não temos controle do que o outro deseja. Mas nós temos controle sobre nós mesmo, sobre o que queremos. Eu mando em mim, e decido por mim mesma para onde devo seguir, embora, qualquer ser humano tenha chances de fazer a escolha errada. E por mais que eu tente ser justa com os outros, é praticamente impossível fazer as coisas com que ninguém saia magoado. Fazer alguém sofrer nunca foi uma vontade minha. Isso eu realmente não decido. E o máximo que eu posso fazer, é ficar aqui, e lhe oferecer meu ombro caso sofra por minha culpa.

Há em meu corpo calcinado o mapa de uma terra distante em que nem mil chuvas poderão fazer voltar a correr os rios que morreram ainda dentro dos teus olhos. Tenho em mim areia e fogo pisoteados pelo tempo e em meus cabelos uma vaga que nasceu junto do mais antigo mar. Não me olhe só com os olhos como se tuas mãos não fossem dignas do meu corpo. Toma-me nos braços tal qual um imenso barco, navega-me oceano e vento, livra-me das pedras, naufraga-me e resgata-me, invade minha boca, enfeita-me de algas, açoita-me em tempestade e raios, estende-me em vela alva, afoga-me e traz-me à tona, lúcida, rútila, aquática.